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estreia nesta quinta (21)

Suspense 'O Vendedor de Passados', com Lázaro Ramos, vira drama familiar

Reuters


SÃO PAULO (Reuters) - Lázaro Ramos e Alinne Moraes estrelam o suspense 'O Vendedor de Passados', novo filme de Lula Buarque de Hollanda, diretor do documentário 'O Mistério do Samba' (2008), sobre a Portela, e da comédia 'Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa' (2001).

A produção é inspirada no romance homônimo do angolano José Eduardo Agualusa, lançado em 2003, sobre um profissional que recria histórias de vida para figuras públicas da elite no país.

Da obra, Hollanda e a roteirista Isabel Muniz (co-escritora de novelas brasileiras como 'Cheias de Charme' e séries como 'Sob Nova Direção') extraíram apenas o ofício do personagem.

Saem os políticos, militares e novos ricos angolanos (com espinhosas biografias ou vergonhosos berços), para a entrada de figuras mais simplórias da realidade carioca.

Na adaptação ao Brasil, Félix Ventura torna-se Vicente (Lázaro Ramos), que se dedica a fabricar passados com a ajuda da tecnologia e de sua criatividade. É o caso, por exemplo, de Ernani (Anderson Muller), que tem vergonha de sua antiga obesidade e quer uma bagagem mais feliz para conquistar mulheres.

Lázaro Ramos detalha o filme 'O Vendedor de Passados'


A tensão realmente começa quando uma misteriosa mulher, que se identifica apenas como Clara (Alinne Moraes), encomenda a Vicente uma nova biografia. Mas, impõe: a nova Clara deve ter cometido um crime. O inesperado pedido gera uma obsessão no rapaz, que se apaixona por sua cliente, o que o levará a encarar a sua própria vida.

Com início que bebe na narrativa noir, em torno da mulher de virtudes questionáveis, o suspense dirigido por Hollanda se encaminha de forma direta para o drama pessoal e familiar de Vicente. A adoção, a mãe psicanalista com quem não fala, as mentiras que criou ao seu redor; todos os fatos que o personagem precisará enfrentar, quando a narrativa de Clara vai perdendo força.

Se o livro pode ser considerado uma sátira social angolana, o filme contribui para uma discussão sobre identidade. Mas cria-se aqui uma dubiedade: ao mesmo tempo em que a tecnologia pode recriar passados, um mundo hiper conectado pode apontar as inverdades da nova biografia. Esse é o buraco do argumento do filme, que dificilmente passará despercebido pela audiência.

Confira as outras estreias da semana:
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