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Regina Casé desabafa sobre início tardio da filha no cinema: 'Capacitismo meu e dela'

Redação RedeTV!

Perda auditiva da jovem foi causada por antibiótico tóxico na infância 

(Fonte: Reprodução/ Redes Sociais) 

A atriz Regina Casé declarou que a falta de oportunidades anteriores da filha Benedita na atuação ocorreu por preconceito, durante entrevista ao videocast "Conversa vai, conversa vem" divulgada nesta quinta-feira (4). O desabafo abordou a trajetória da jovem, que possui deficiência auditiva.

"Eu nunca tinha prestado atenção. Se você tiver um filho preto e uma filha PCD, por mais que você estude e tenha letramento... se você viver o dia a dia 24 horas, você vê as grandes questões, as sutilezas. Você vai percebendo nuances que você não via antes"

A entrevistada destacou a transformação da primogênita em uma voz importante contra o preconceito e revelou a barreira que impediu o início precoce na carreira artística. "Benedita se tornou uma ativista anticapacitista muito interessante. Ela não tinha pensado em ser atriz por capacitismo meu e dela"

Segundo a mãe, a perda auditiva severa sofrida pela jovem ainda na infância, provocada por um antibiótico tóxico, acabou desenvolvendo nela uma capacidade de observação muito aguçada.

"Talvez a surdez tenha contribuído. Como faz leitura labial, está o tempo todo olhando na cara da pessoa e prestando atenção. Nunca está com uma audição dispersa ou paralela. Eu achava ela engraçada, emocionante. Via que ela tinha uma intensidade na percepção do outro. E falava: 'Tem que ser o psicanalista ou mãe de santo'."…

A capacidade expressiva da nova atriz foi comprovada na estreia como protagonista do filme "90 decibéis", trabalho que rendeu elogios da veterana Fernanda Montenegro.

"Fui ver o filme e parecia que era o trigésimo filme da Benedita. Fernandona (Montenegro) me mandou um de seus famosos áudios às 2h da manhã, dizendo: 'Regina, minha amiga, não consigo dormir'. E disse a mesma frase que te falei sobre Benedita, que parecia que ela já tinha feito vários filmes."

O diagnóstico inicial da perda de audição foi acompanhado por previsões médicas pessimistas sobre a comunicação da menina, contrariando o desenvolvimento que ela apresenta hoje. "Os médicos diziam para eu ensinar Libras, que ela não ia oralizar, falar."

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