"Não quero mais homem gritando gostosa para mim", dispara Valesca Popozuda
Publicada:15/08/2016 13:23:00
Redação/RedeTv!

(Foto: Reprodução/Instagram)
Prestes a lançar seu livro "Sou Dessas - Valesca Popozuda Pronta Pra o Combate", a cantora disse em entrevista ao colunista Bruno Astuto, da revista Época, que seu objetivo agora é dar forças para as mulheres se afirmarem e aprenderem com as suas dificuldades e conquistas.
A funkeira também destacou a passagem mais importante de seu livro. "A dificuldade que minha mãe sofreu para me criar. Das vezes em que ela dormia na rua, depois do trabalho, porque não podia entrar na comunidade de madrugada por causa da violência. Quando ela trabalhava na casa de uma família, a patroa queria que ela me desse, porque achava que ela não teria condições de me criar. E estamos aí, firmes e fortes", conta ela.
A funkeira, que está com 37 anos, repaginou não apenas o visual mas também as suas letras. Ainda em conversa com o colunista, ela disse que não se arrepende do conteúdo sexual que suas letras continham. "Naquela época, fazia todo sentido falar sobre sexo daquele jeito. Por que os homens podiam e a gente não? Mas o funk mudou e eu mudei com ele. Quando fazia meus shows, muitas meninas vinham me contar que apanhavam dos namorados, que foram abusadas pelo pai, que eram discriminadas no trabalho, então senti a necessidade de dar mais voz a elas. Talvez, aí, as letras tenham mudado", diz.
Valesca ainda destacou, que hoje, seu foco é outro. "Não quero mais homem gritando gostosa para mim. Eu quero as mulheres comigo gritando pelo seu poder, colocando a voz pra fora, tirar isso que está entalado na garganta", desabafa.
A cantora também disse, que mesmo caminhando com o pop, jamais pensa em apagar o "Popozuda" de seu nome. "Eu faço pop também, mas serei sempre funkeira. Quer me chamar de MC? Me chama que eu adoro. A comunidade e o gueto nunca vão sair de mim, fazem parte da minha história", conta.
Feminista assumida, Valesca sonha em abrir uma ONG em apoio à mulheres que engravidam cedo. "Tenho uma vontade imensa de ter uma ONG que dê assistência a jovens carentes grávidas. Eu engravidei muito cedo e ia todo sábado a uma instituição onde aprendia a bordar e costurar. Queria devolver isso para o mundo, seu o quanto isso é dolorido", complementa a cantora, que é mãe de Pablo.
Valesca ainda surpreendeu ao revelar seu gosto musical. "Maria Bethânia. Eu amo aquela voz, aquela emoção, aquela maneira teatral de cantar e dizer as palavras. Quem sabe um dia possamos cantar juntas?", diz ela.