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Estreou em Paulínia

Filme com Daniel de Oliveira traz relação incestuosa entre irmãos

Por Karen Lemos, de Paulínia

Daniel de Oliveira e o cineasta Lírio Ferreira

Daniel de Oliveira vem colecionando bons e desafiadores papéis no cinema. Seu novo trabalho nas telonas, “Sangue Azul”, de Lírio Ferreira, acaba de entrar para este seleto hall que poucos atores têm o privilégio de se gabar em possuir.

No longa, Daniel dá vida a Zolah, artista de circo que deixou a ilha em que morava para ganhar o mundo se apresentando como o homem bala da trupe. Seu retorno à terra natal traz sombras do passado, entre elas, uma paixão proibida que nutre, desde pequeno, por sua irmã Raquel (vivida por Caroline Abras).

Apesar de polêmica, os atores não encararam o romance como algo monstruoso na hora das filmagens. “Não sentimos esse peso”, declarou Daniel em entrevista coletiva durante o Festival de Cinema de Paulínia neste sábado (26). “A tensão entre os dois foi muito bem feita por nós. Foi delicado de fazer, mas rolou positivamente”.

O ator, aliás, tem várias cenas de sexo ao longo do filme. “Acho sexo uma coisa muito natural”, definiu. “Meu personagem é um cara do circo, tipo um popstar; ele chama atenção e é natural que ele queira aproveitar aquilo”, pontuou.

Recepção

Daniel levou sua namorada, a atriz Sophie Charlotte, para a estreia

“Sangue Azul”, que estreou no Teatro Municipal de Paulínia na noite de sexta-feira (25), não é um filme fácil. Cheio de referências e poesia, o longa chega a ser indigesto em alguns momentos e altamente erótico em outros. Repleto de cenas de sexo, alguns espectadores – desavisados sobre o tema do filme – levaram suas crianças e, no meio da sessão, deixaram a sala muito antes de seu término. Foram exceções. Grande parte do público permaneceu na sala e aplaudiu a obra logo após sua projeção.

Ainda assim, Daniel aposta na sutilidade de seu trabalho, trazida pela sensibilidade do diretor pernambucano Lírio Ferreira. “As cenas são interessantes, convincentes e sutis. Foram colocadas no filme de forma bonita e natural. Em outros filmes que eu fiz, eu senti algo mais pesado. O Lírio é muito delicado para mostrar as coisas”, explicou o ator que, em 2009, também deu o que falar com o filme “A Festa da Menina Morta”, longa em que novamente vive uma relação incestuosa, mas, desta vez, do pai com o filho.

Gravado em Fernando de Noronha, “Sangue Azul” reuniu equipe e elenco na ilha por algumas semanas durante toda a gravação. O elenco é estelar e traz ainda Ruy Guerra, Paulo César Pereio, Milhem Cortaz e Matheus Nachtergaele em ótimas atuações coadjuvantes, além da premiada em Cannes Sandra Corveloni, que interpreta a mãe dos irmãos, responsável pela separação prematura de seus filhos ainda na infância.

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