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"Convivência afetuosa e difícil"

Filha de Manoel Carlos relata cuidados com o autor antes da morte

Gabrielly Mendes / Redação RedeTV!

Atriz falou sobre momentos após o diagnóstico de Parkinson do escritor

(Foto: Reprodução/Redes sociais)

A atriz Júlia Almeida, de 43 anos, falou sobre os últimos meses de convivência com o pai, o autor de novelas Manoel Carlos. Em depoimento à revista Veja, ela relatou como a família lidou com o avanço da doença de Parkinson do escritor, que morreu em janeiro, aos 92 anos.

Segundo a atriz, o período foi marcado por mudanças na rotina e por decisões relacionadas ao cuidado diário. Ela afirmou que acompanhar o pai durante o avanço da doença trouxe reflexões sobre responsabilidade e proximidade familiar.

“A convivência com meu pai, Manoel Carlos, nos anos em que o Parkinson avançava foi afetuosa e também difícil. Preservar a dignidade dele era minha prioridade. Tenho a convicção de que fiz tudo o que estava ao meu alcance para confortá-lo. Foi um período que exigiu adaptação, vigilância e decisões constantes, e que me ensinou o que significa cuidar de alguém com responsabilidade”, disse.

Júlia também relembrou a infância e a relação com o trabalho do pai, autor de novelas exibidas pela televisão brasileira ao longo de décadas.

“Nasci enquanto ele escrevia ‘Sol de Verão’, em um apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro. Lembro da máquina de escrever e do som que ela fazia. Desde cedo convivi com as noites em que ele trabalhava. Novelas como ‘Laços de Família’ e ‘Mulheres Apaixonadas’ entraram na casa das pessoas e marcaram a trajetória profissional dele”, afirmou.

De acordo com a atriz, o diagnóstico da doença mudou a dinâmica familiar. A rotina passou a incluir consultas médicas, exames e a presença de profissionais que auxiliavam nos cuidados.

“O dia a dia passou a ser ocupado por consultas, exames e ajustes práticos, além de pessoas entrando e saindo da casa dele para ajudar. Minha mãe, Bety, esteve sempre presente e ofereceu o suporte emocional que nos sustentava”, contou.

Ela disse ainda que a família procurou manter hábitos que faziam parte da rotina do autor.

“Ele tinha hábitos que valorizava e tentamos mantê-los. Continuou indo à piscina, com acompanhamento de um fisioterapeuta. Também mantivemos coisas simples de que ele gostava, como picolé de coco, cerveja aos domingos e água mineral em garrafa de vidro. O vinho que ele apreciava precisou ser suspenso”, relatou.

A atriz também comentou a decisão de manter o pai longe da exposição pública durante o período de agravamento da doença.

“Refleti sobre a importância de deixá-lo longe dos holofotes. Embora fosse uma figura pública, ele tinha direito à privacidade. Muitas pessoas questionaram o recolhimento, mas entendi que escrever novelas por mais de cinco décadas não significava transformar aquele momento em espetáculo”, afirmou.

Segundo Júlia, as internações se tornaram mais frequentes no início de 2024. Mesmo à distância, ela manteve contato com o pai por meio de chamadas de vídeo.

“Às vezes alguém ligava do hospital dizendo: ‘Júlia, seu pai sonhou com você, fala um oi’. Então fazíamos uma videochamada. Pequenos gestos aproximavam a gente nos dias mais difíceis”, contou.

Ela também relembrou o último encontro entre os dois.

“No último Natal organizei uma celebração em família. Conversei com ele, beijei sua testa e disse: ‘Pode descansar’. Não foi um gesto de resignação, mas o reconhecimento de um desfecho que eu já vinha aceitando. Nosso último diálogo foi uma troca de olhares. Ele morreu aos 92 anos, em 10 de janeiro, no hospital, segurando minha mão”, afirmou.

Grande acervo

Após a morte do autor, Júlia passou a organizar o acervo deixado por ele. Segundo a atriz, o material reúne milhares de documentos, cartas, rascunhos e fotografias.

“Assumi a tarefa de cuidar da obra dele. São mais de 8.000 caixas com papéis, cartas, rascunhos, prêmios e fotografias. No início me senti solitária, mas mergulhar na trajetória dele também foi uma forma de compreender quem ele foi ao longo da vida”, disse.

Ela afirmou que a catalogação do material ainda está em andamento e que também produz conteúdos sobre a trajetória do pai.

“Catalogar cada caixa se tornou uma maneira de atravessar o luto. Hoje produzo os documentários ‘O Leblon de Manoel Carlos’ e ‘As Helenas de Manoel Carlos’, publicados no YouTube. Meu pai dizia que o que construiu era maior que o tempo. Para mim, isso representa um compromisso”, concluiu.

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