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'Não tinha saído do armário'

Anitta expõe bastidores da carreira e desabafa sobre silêncio político

Redação RedeTV!

Cantora detalhou período em retiro religioso e nova fase nos relacionamentos

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A cantora Anitta abordou temas como carreira, vida amorosa, política e religião durante participação no programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil.

A artista avaliou as próprias habilidades técnicas e explicou o motivo de seu destaque no mercado musical:

"Não sou a melhor cantora, ou a melhor dançarina, ou a melhor compositora e produtora. Acho que nesse quesito, eu sou um patinho, sei fazer um pouquinho de cada coisa. Se me botar pra cantar, eu vou cantar legal. Se me botar pra dançar, não vou deixar a desejar. Vai me colocar pra compor? Eu consigo me virar, mas tem outras pessoas muito melhores"

A famosa completou a análise sobre sua visão executiva:

"Não tenho problema nenhum de colocar pessoas para fazer coisas nas quais elas são melhores que eu. O que eu acho que, de fato, faz a diferença: eu sou uma grande empresária, sou uma grande vendedora do meu trabalho, que sabe ler o público muito bem e sabe como chegar. Sei ser maestra de todos os profissionais maravilhosos que estão fazendo a excelência do trabalho"

A empresária mencionou o impacto internacional do projeto Funk Generation e os convites recebidos no exterior:

"Por conta dele, eu recebi muitos convites, não só do The Weeknd para fazer funk com ele, mas de outros artistas internacionais, que me buscaram por causa desse projeto, festivais [me convidaram], pessoas me escreveram, o próprio Travis Scott me chamou e começou a tocar no shows dele músicas do Funk Generation. Me abriu muitas portas e levou o funk [para o mundo]"

A carioca comentou sobre a presença em eventos musicais dentro e fora do país:

"Fora do Brasil todos os festivais me contratam porque eu sou o máximo fora do Brasil. Aqui no Brasil, o Rock The Mountain me contrata, vou fazer esse ano"

A estrela relembrou o período em que sofreu pressão por posicionamento político durante a iniciação no candomblé:

"Houve um momento político no Brasil onde me foi cobrado muito, e eu fui muito apedrejada e atacada por estar em silêncio"

A compositora detalhou o motivo do afastamento durante esse processo religioso:

"Só que eu, nessa época, estava fazendo santo. E, quando a gente faz isso, a gente fica ali, guardadinha, por um mês. Você não tem informação de pessoas, ninguém fala para você o que está acontecendo, você não fica com o telefone na mão. Você fica em retiro por um mês. Então, não faz ideia do que está acontecendo"

A musicista admitiu a preocupação com os impactos comerciais caso revelasse sua fé na época:

"Porque tem isso, né? Você tem que sair do armário. Eu não tinha saído do armário ainda porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender... Aí, imagina, eu comecei sem dinheiro, não tinha casa, não tinha nada. Imagina o medo"

Ela recordou o dilema pessoal diante dos ataques:

"'Se descobrirem que eu sou macumbeira, acabou. Só que, ao mesmo tempo, estava todo mundo me trucidando porque eu fiquei em silêncio muito tempo. Como é que eu explico que eu fiquei em silêncio?"

A carioca explicou como passou a orientar seu discurso público após buscar informações:

"Comecei a focar muito na questão ambiental, na questão política, mas nunca na questão política das pessoas seguirem o que eu penso ou o que eu acho, mas [incentivo] buscar informação, acho que isso que é o libertador. Não quero que ninguém vote que nem eu, não quero que ninguém tenha a mesma crença que eu ou a mesma religião que eu, mas eu gostaria que as pessoas buscassem informação e fizessem as suas escolhas a partir da própria interpretação, da própria opinião"

Em relação à vida pessoal e aos boatos com Danilo Mesquita, a artista pontuou uma mudança de comportamento:

"Estou muito diferente nas minhas relações pessoais, mudou muito a minha forma de me relacionar com as pessoas. Eu acho que antes eu tinha um vazio mesmo, uma necessidade de algo, de provar algo"

A performer criticou a cobrança social sobre o sucesso feminino atrelado a relacionamentos:

"Não importa o quanto você trabalha, não importa o quanto você tenha construído coisas inacreditáveis; para a sociedade, a mulher só alcança esse sucesso quando ela é escolhida por um homem"

Ela também lamentou o foco da mídia em sua vida afetiva:

"Isso é uma coisa que me pega muito e me deixa muito triste... Talvez, se você quisesse só investir em arrumar um homão para o povo falar, ia dar mais retorno. Em notícia, em interesse das pessoas, é muito complicado ver que você trabalhou, trabalhou, trabalhou, e esse é o ponto que as pessoas falam, e esse é o ponto que as pessoas querem saber"

A produtora citou a circulação de notícias inverídicas antes do lançamento de Equilibrium II:

"Um pouquinho antes de lançar essa segunda fase do álbum, saiu uma notícia que não era verdade, só que vai se espalhando, porque esse é o interesse das pessoas, e eu querendo falar desse projeto que para mim tem o poder de mudar vidas. Se eu fosse desmentir, ia virar mais uma notícia para chamar atenção"

Por fim, a brasileira enfatizou a opção por manter a privacidade:

"Eu mudei muito a minha forma de me relacionar, o motivo de me relacionar, e também a minha discrição. Antes, eu era muito tipo: 'Ah, que falem da minha vida'. Eu tinha essa percepção que a internet passa para o outro, de que enquanto você está sendo falado, você está no sucesso. Tinha muito essa necessidade de me expor e acabava atraindo pessoas para minha vida que tinham essa energia. E hoje, não. Hoje eu gosto de discrição, eu posto pouquíssimo da minha vida"

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